Ta faltando dar uma satisfação…

Pelo que vocês estão vendo, há muitos dias que eu não posto no blog. Essas últimas semanas tem sido uma loucura e minha rotina mudou completamente – não só por causa do  novo emprego.

Daqui uns dias eu posso explicar tudo com detalhes, mas envolve mudar de apartamento e otras cositas más. Quem viver verá! 😀

É só uma pausa, acho que daqui umas semanas eu já estou de volta.

pause

Bjos!

Antes e depois: Bolo recheado com chocolate e nozes

bolo de chocolate e nozes

Gente, que saudade do blog! Essas duas semanas foram incrivelmente ocupadas e o tempinho que me restava eu tinha que arrumar a casa ou fazer uma jantinha para o maridão.

Na primeira semana eu fiz um curso de Preparo de Bolos e Tortas no SENAC. Foi no mesmo molde do de pães que fiz em novembro do ano passado. Para ser sincera eu gostei mais do de pães porque acho que me trouxe mais informações novas e técnicas que não sabia. O de bolos eu já tinha uma noção porque já tinha feito algumas tortas e todas as dicas que recebi lá já tinha ouvido da minha mãe ou da minha sogra. Mas eu também gostei porque conheci receitas bem diferentes e melhorei a técnica de montagem de bolos recheados.

No final de semana antes de eu começar a fazer o curso eu fiz um bolo recheado para meu aniversário (foi dia 24/07!!) e percebi que o meu jeito de fazer estava bem correto, com algumas modificações. Vou passar a receita que eu fiz com algumas considerações que recebi no curso e outras dicas valiosas. A base que usei foi um bolo que fiz para o aniversário da minha irmã, que está aqui.

bolo de chocolate e nozes 3

Ingredientes para o bolo (pão de ló de chocolate):

4 ovos (4 gemas + 4 claras)

7 colheres (sopa) rasas de açúcar

8 colheres (sopa) BEM RASAS  de farinha de trigo 

4 colheres (sopa) BEM RASAS de cacau em pó

1 pitada de sal

1 colher (sopa) de fermento em pó

Separar todos os ingredientes antes de começar a receita. Ligue o forno em 180ºC e unte um tabuleiro redondo de tamanho médio. Esse bolo é feito bem rápido e é melhor usar uma batedeira planetária. Peneire a farinha com o cacau, o sal e o fermento. Depois bata as claras em neve. Quando estiverem bem firmes, vá acrescentando o açúcar aos poucos. Depois, acrescente as gemas, uma a uma. Vai ficar como uma espuma amarelinha. Deixe bater bem por mais uns cinco minutos. Desligue a batedeira e acrescente a farinha aos poucos, misturando delicadamente com a espátula. A massa é como uma espuma firme mesmo. Despeje no tabuleiro e ajeite a massa para ficar bem retinha. Asse por 15 minutos ou menos (assa rapidinho se o forno estiver bem quente).

Retire do forno, deixe esfriar por alguns minutos e retire do tabuleiro. Quando esfriar, corte o bolo ao meio usando uma faca de serra bem grande. Reserve.

Observação importante: para o pão de ló perfeito, use um ovo para cada 25g de farinha e 25g de açúcar. O fermento é opcional porque se você bater bem os ovos, ele não será necessário. Antes eu não batia bem os ovos, o que deixava o bolo um pouco mais baixo.

Ingredientes para o recheio de chocolate (fazer no dia anterior à montagem):

1 1/2 latas de leite condensado

1 1/2 latas de leite

4 colheres (sopa) de cacau em pó

3 colheres (sopa) rasas de amido de milho

Em uma panela despeje as latas de leite condensado, uma lata de leite e o cacau em pó. Ligue em fogo alto e vá misturando até que ferva. Quando ferver, acrescente o amido de milho dissolvido no leite que sobrou. Continue misturando, agora com fogo baixo, porque de repente vai firmar. Deixe cozinhar por mais um minuto. Esse recheio deve estar firme, mas não duro. Deixe esfriar de um dia para outro na geladeira.

Ingredientes para o recheio de nozes (fazer no dia anterior à montagem):

1  lata de leite condensado

1 lata de leite

100g de nozes picadas grosseiramente

2 colheres (sopa) rasas de amido de milho

Em uma panela despeje a lata de leite condensado, 1/2 lata de leite e 1/3 das nozes. Ligue em fogo alto e vá misturando até que ferva. Quando ferver, acrescente o amido de milho dissolvido no leite que sobrou. Continue misturando, agora com fogo baixo, porque de repente vai firmar. Acrescente o resto das nozes e deixe cozinhar por mais um minuto. Esse recheio deve estar firme, mas não duro. Deixe esfriar de um dia para outro na geladeira.

Ingredientes para a calda (para o bolo ficar “molhadinho”):

1/2 copo de leite

3 colheres (sopa) de licor de cacau

Essa calda é para molhar o bolo, mas fique atenta porque bolo molhado demais pode desmontar. É só para o pão de ló não ficar muito seco.

Ingredientes para a cobertura:

400g de chocolate ao leite (ou 300g de ao leite + 100g de meio amargo)

1 1/2 caixa de creme de leite

Derreta o chocolate em banho maria ou no microondas. Acrescente o creme de leite e misture bem. Deixe esfriar na geladeira por alguns minutos (não deixe muito para que não endureça).

Montagem:

Retire o recheio da geladeira alguns minutos antes de usá-lo. Divida o de chocolate em duas partes.

Para o bolo ficar firme enquanto você monta, minha sogra (essa receita é dela) me deu uma dica ótima. Vamos montar o bolo dentro do tabuleiro que usamos para assá-lo. Forre o tabuleiro com um saquinho plástico e coloque a primeira metade do bolo.

Umedeça o bolo com a calda de leite usando um pincel culinário. Coloque 1/2 do recheio de chocolate  espalhe bem.

Coloque a outra metade do bolo, umedeça com a calda e coloque o recheio de nozes. Tampe com mais uma metade do bolo, umedeça e coloque o restante do recheio de chocolate. Tampe o a última metade do bolo e umedeça com a calda novamente. Deixe esse bolo, dentro do tabuleiro, na geladeira algumas horas para firmar.

Na hora de servir, tire o bolo do tabuleiro (ele vai estar bem firme, não vai desmontar) e corte as laterias para acertar. Faça a cobertura e espalhe por cima e nas laterais com uma espátula e confeite o bolo como preferir. Eu usei granulado, nozes inteiras e cerejas.

bolo de chocolate e nozes 2

Ambrosia caseira

ambrosia

Esse doce é um clássico nas paradas das estradas aqui em Minas. Sempre vem em um vidro que acaba rapidinho aqui em casa. Eu sempre ficava imaginando como é que esse doce era feito, porque tem uma textura bem diferente. Essa receita minha Tia Elvira que descobriu e fez algumas adaptações. É importante lembrar que essa receita tem que ser feita em uma panela bem grande para dar certo ok?

Ingredientes:

200g de açúcar

1 litro de leite integral

6 ovos (claras + gemas)

Canela em pau a gosto

Bata as claras em neve, até ficar no ponto bem firme. Quando isso acontecer acrescente as gemas uma a uma, sem parar  de bater. Vai virar uma espuma. Reserve.

Em uma panela grande, despeje o açúcar e ligue o fogo baixo. Deixe o açúcar queimar só um pouco, para dar uma cor à ambrosia. Acrescente o leite e quando ferver adicione  as canelas em pau e os ovos batidos. Com uma colher grande, misture os ovos ao leite fervendo aos poucos, como se tivesse incorporando claras em neve a um bolo. Isso é para tirar a parte dos ovos que está cozida do fundo. Aos poucos a mistura vai abaixando, perdendo as bolhas e cozinhando os ovos. Deixe fever para dar mais uma apurada no doce. Desligue o fogo, deixe esfriar e guarde na geladeira.

Uma pequena pausa

chile

Queridos, até o dia 26 o blog não terá receitas novas porque esta pessoa que vos fala vai (finalmente!!!!) passear um pouco com o maridão em terras sul-americanas. Não deixei posts programados porque acho estranho o blog postar “sozinho”. Acho que vi Matrix demais na adolescência ou não aderi tanto à modernidade da blogosfera quanto pensava. Enfim.

Vou ali no Chile e já volto tá? Quando chegar, prometo fotos lindas e comidas incríveis, pode ser?

Bjos!

Pho ga soup (sopa vietnamita de frango)

pho soup

De tempos em tempos eu tenho um desejo que fazer algo bem difícil, só pelo desafio. Não sei porque mas na última semana vi vários programa culinários falando da culinária tailandesa e vietnamita. Meu marido na hora lembrou de uma sopa que ele tomou no Canadá quando morava lá. Depois de várias pesquisas na internet, resolvi dar um pulo na Mercearia Tokyo aqui em BH e no supermercado Verde Mar, os dois únicos lugares que consigo comprar produtos orientais mais exóticos.

De primeira a sopa não me conquistou muito. São tantos temperos que eu nunca tinha experimentado juntos. A medida que eu fui comendo, ela ganhou o meu paladar. Dá para sentir todos os sabores misturados… Vale para sair da rotina e conhecer novos sabores.

Achei a receita aqui.

Ingredientes para o caldo (para quatro pessoas):

1 cebola grande

Um pedaço de 3a 5 cm de gengibre

Ossos de um galinha

2 colheres (sopa) de sementes de coentro

1 colher (sopa) de cardamomo

2 folhas de louro

1 pau de canela

4 cravos

2 anis estrelado

2 colheres (sopa) bem cheias de açúcar

1 colher (café) de sal

Cabos do coentro fresco amarrados por um barbante (guarde as folhas para montagem)

Corte a cebola em quatro e o gengibre em dois e asse em forno bem quente por 15 minutos. Tire as cascas depois de assado. Reserve

Tire os ossos de uma galinha inteira. Eu tive uma certa dificuldade nessa parte pois tenho pouca prática, mas deu certo. Não tem importância se você não tirar toda a carne do osso também. A carne que você tirar guarde em saquinhos para congelar e reserve o peito para a montagem do prato.

Em uma panela grande, ferva os ossos da galinha por 15 minutos. Isso é para tirar o sangue e algumas coisas esquisitas que saem. Também tira aquele gosto de “granja”. Retire os ossos, jogue a água fora e lave a panela (vai ficar uma gordura grudada). Coloque os ossos novamente na panela e enche de água até cobrir. Acrescente o restante os temperos, a cebola e o gengibre assado, misture um pouco e ligue o fogo alto. Quando ferver abaixe o fogo e vigie durante uma hora. De vez enquando dê uma misturada, sempre no fogo bem baixo. Tire todos os sólidos com uma peneira, deixando o caldo bem limpo.

Ingredientes para montagem:

300g de peito de frango

200g de macarrão de arroz (usei dessa marca)

2 xícaras de broto de feijão

Folhas de coentro e manjericão fresco a gosto

1/2 pimenta jalapeño fatiada bem fininha

Molho Sriracha (molho tailandês de pimenta)

Molho Hoisin (molho chinês com especiarias e bata doce desidratada)

Corte o peito de frango em tiras largas e grelhe com um pouco de sal e azeite (eu usei shoyo). Reserve. Prepare o macarrão de acordo com as especificações da embalagem. Reserve.

Em uma vasilha para sopa coloque o caldo fervente até a metade. Acrescente um punhado de macarrão, um pouco dos molhos sriracha e hoisin e misture. Coloque por cima um pedaço de frango, o broto de feijão, as folhas de coentro e manjericão e a pimenta jalapeño. Coma enquanto quente.

Cuidado com o molho sriracha porque ele é beeeem apimentado. Deu para comer tranquilamente com os hashis e com o auxílio de uma colher para tomar o caldo.

pho soup 2

Trufas sortidas

trufa tradicionalEsse final de ano eu e maridinho decidimos não gastar muito com presentes, mas eu não queria deixar passar em branco. Decidi fazer algo culinário e que ficasse bem simpático, como trufas. Dá um trabalhão para enrolar mas compensa porque ficam lindas e super charmosas. Comprei uma caixinha, um papel de seda e voilá! Quem recebeu adorou…

Ingredientes:

450g de chocolate meio amargo

250ml de creme de leite fresco

Sabores:

Tradicional: Cacau em pó

Nozes: 50g de nozes picadas e  granulado

Whisky:1/2 copo (lagoinha) de whisky e amêndoas laminadas

Cereja em calda: 50g de cerejas em calda e cacau em pó

Pique o chocolate em pedaços pequenos e reserve. Ferva o creme de leite e despeje sobre o chocolate, misturando sempre até o chocolate derreter por completo. Ainda quente, divida em quatro partes (ou quantos tipos de sabores que você quiser). Em cada parte acrescente o sabor desejado. Guarde na geladeira por pelo menos 3h.

Enrole por sabor, deixando os outros sabores na geladeira. É muito difícil enrolar essas trufas, porque o chocolate derrete facilmente. A dica é enrolar uma parte e deixar o resto na geladeira, sempre!

A tradicional não tem nada além da massa base de chocolate – eu só passei no cacau em pó.

trufa de whiskyEu achei que coloquei muito whisky e ficou muito mole na hora de enrolar e passar nas amêndoas. Mas o sabor ficou um espetáculo!

trufa de nozes

Essa foi a minha preferida porque ficou bem fácil de enrolar e ela ficou a mais firme depois de gelar.

trufa de cereja em calda

Para fazer essa, despeje um pouco da calda na mistura de chocolate e, na hora de enrolar, coloque 1/2 cereja como recheio. Como a de whisky, essa ficou mole demais e não consegui colocar a cereja no meio sem derreter tudo na minha mão. A solução foi colocar a cereja por cima.

*Minha ideia inicial foi usar açúcar de confeiteiro vermelho (colori com algumas gotas de corante) para enrolar, mas a trufa absorve o açúcar e parece que você não passou em nada. Substitui pelo cacau em pó.

Depois de enrolar todas, guarde novamente na geladeira de um dia para outro. Monte as trufas na caixinha enfileiradas por sabor.

Tirei a receita do maravilhoso livro Ateliê do Chocolate, da Cooklovers. Você encontra ele aqui.

post-patrocinado

Cinnamon Rolls


cinnamon rolls 3O nome desse pão não tem uma tradução aqui no Brasil, mas literalmente significa “enrolados de canela”. Atualmente é um dos meus pães preferidos, mas o problema é a quantidade de manteiga que leva no total da receita – 200g. Faz no dia que for enfiar o pé na jaca, como eu fiz.

Achei a receita aqui.

Ingredientes para a massa:

3/4 xícara de leite integral

30g (2 tabletes) de fermento fresco para pão OU um envelope de fermento seco para pão (10g)

3 ovos grandes

4 1/4 xícaras de farinha de trigo

1/2 xícara de amido de milho

1/2 xícara de açúcar

1 1/2 colher (chá) de sal

150g de manteiga, de preferência sem sal

Misture o leite morno com os tabletes de fermento. Acrescente uma das xícaras de farinha de trigo e duas colheres (sopa) de açúcar e misture bem. Vai virar uma “meleca” que chamamos de esponja, que é para deixar a massa bem fofinha depois. Deixe essa mistura descansar por 30 minutos em um local abafado (forno desligado, por exemplo).

Misture o restante da farinha e do açúcar com o amido de milho e o sal. Acrescente os ovos (batidos) e vá misturando. Acrescente a esponja e a manteiga em temperatura ambiente e continue misturando. Eu fiz esse processo na batedeira planetária, que fica bem mais fácil. Depois sovei um pouco na mão para garantir que a massa estava no ponto que eu queria. Faça uma bola, coloque em uma vasilha, tampe com filme plástico e deixe crescer por duas horas ou até dobrar de volume.

Ingrediente para o recheio:

1 1/2 xícara de açúcar mascavo

1 1/2 colher (sopa) de canela

1 colher (café) bem rasa de sal

50g de manteiga

Nozes a gosto (usei 100g)

Misture o açúcar com a canela, sal e as nozes e reserve. A manteiga deve ficar em temperatura ambiente.

Montagem:

Depois de a massa crescer, estique-a fazendo um quadrado usando um rolo. Não deve ser de espessura nem muito fina nem grossa – para ficar na espessura que queria usei minha bancada toda, hehehe. Depois de esticada espalhe a manteiga do recheio por toda a superfície da massa e polvilhe a mistura de açúcar mascavo por cima.

cinnamon rolls 1

Enrole como rocambole. Corte em oito pedaços iguais e disponha-os em um tabuleiro redondo untado e enfarinhado. Tampe com filme plástico e deixe crescer por uns 40 minutos. Lembre-se de deixar espaço entre os rolos porque eles ainda vão crescer bastante:

cinnamon rolls 2

Asse em forno pré-aquecido em 180ºC até corar (no meu foi menos de 40 minutos).

cinnamon rolls 4

O pão é super fofinho e o açúcar mascavo é o complemento perfeito.  As gordices podiam ser menos gostosas né… A manteiga não fez nem escala, foi direto pro pneu que vou gastar na academia amanhã 😉

Escrevendo Abobrinhas no jornal O Tempo

Alguns dias atrás a repórter Aline Gonçalves do jornal O Tempo, aqui de Belo Horizonte, me procurou para fazer uma entrevista comigo.  A matéria é sobre blogs de culinária e foi publicada dia 23 do mês passado, mas foi só hoje que eu vi.

Eu estou lá no finalzinho…

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Todo mundo é capaz de lembrar daquele caderno de receitas, meio velho, meio aconchegante, ao qual a avó, a tia ou a mãe volta e meia recorria pra se lembrar de um prato ou pra anotar uma novidade. Ainda que essa prática felizmente ainda venha sendo preservada por algumas pessoas, é cada vez mais comum que uma outra muito similar, mas também com vários aspectos diferentes, ganha adeptos: a dos blogs de receitas. A semelhança entre o tradicional caderno é obvia: os dois tratam do registro da história culinária de famílias. A grande diferença, no entanto, é que agora esses pratos são partilhados com pessoas que vão muito além dos vizinhos e parentes, por gente que jamais imaginou ficar conhecida pelo trabalho na cozinha. “Eu comecei sem muita pretensão, queria registrar as receitas que inventava para conseguir reproduzi-las depois, já que eu nunca anotava nada”, conta a psicóloga por formação Tatiana Romano. O blog dela, o Panelaterapia criado em 2009, é hoje referência na área e alcança a marca de 1,2 milhão de visualizações de páginas por mês.

Tatiana, que nunca fez um curso de gastronomia, conta que seu interesse pela cozinha começou na adolescência, quando criava versões para o tradicional macarrão instantâneo. Porém, quando percebeu que o número de acessos ao blog crescia exponencialmente, resolveu investir. “Estudei sobre mídias digitais, fotografia, comprei equipamentos melhores: busco ser merecedora do sucesso que o Panelaterapia atingiu”, diz.

Ao enumerar esses aspectos, Tatiana observa que a questão da apresentação dos pratos influencia diretamente no sucesso da receita assim como a estratégia de escolha do que coloca no blog (ela evita, por exemplo, incluir receitas parecidas em sequência). Recentemente, o alcance das redes sociais mudou a relação com os leitores, já que há mais possibilidades, segundo ela, para conversar e responder dúvidas.

As estratégias que Tatiana utiliza não diferem daquelas de quem começou a bem menos tempo a comandar blogs de culinária, como as do casal Lígia Marcondes e Gladstone Campos. Ele, fotógrafo profissional há mais de 30 anos, reforça exatamente a questão da imagem para o sucesso e conta que seu trabalho na área de gastronomia, em revistas como a “Gula”, foi um dos incentivos para montar o Entre Pratos e Copos” há menos de um ano

“Antes de ir pra ‘Gula’, nunca tinha fotografado comida, mas comecei a me dedicar, estudar e entendi o processo. Há seis anos, conheci a minha atual esposa que gosta muito de cozinhar. Ela tem formação em história e trabalhava com designer de interiores. Há uns dois anos, Lígia quebrou o braço e resolveu passar todas as receitas para o computador, porque não conseguia desenhar”, conta ele. Como as fotos dessas receitas já estavam em mãos, os dois fizeram um livro, mas perceberam que seria muito caro editá-lo e comercializá-lo. Foi então que surgiu a ideia do blog. “Ter um blog é muito prático e barato. Hoje, temos posts
com mais de 5.000 acessos num dia”, revela Gladstone.

O sucesso imediato levou a cozinheira da dupla a se enveredar por uma área que ela nunca dominou: a dos doces, para atender aos pedidos que chegam, principalmente, via Facebook. “Eu faço o que tenho vontade, mas o blog tem uma sequência com entradas, pratos principais e sobremesas. Como eu não como doces, nunca fui de fazer nada especial até porque doce exige precisão. Agora, com a prática, estou ficando dez”, se diverte. Os doces, na visão de Gladstone, também têm um apelo visual maior. “Nosso campeão de acessos é uma mousse. Qualquer coisa com chocolate ‘bomba”, diz.

Para conseguir uma concretização maior do blog, Lígia também revela que procura fazer cursos com chefs e conta outro ponto fundamental: “O importante do blog é alimentá-lo sistematicamente; não pode pensar ‘ah, vou viajar, depois atualizo”.

Autora do blog Escrevendo Abobrinhas, a mineira Manoela Vianna também aponta a importância de atualização periódica e de buscar conhecimento para não perder o público. “Recentemente fiz um curso de pães, roscas e biscoitos porque senti a necessidade de profissionalizar mais o blog. Pretendo fazer outros ano que vem”, diz.

Para ela, é fundamental, ainda, apresentar receitas fácies e práticas, que condizem com o ritmo de vida atual. “Eu trabalho, fico muito tempo no trânsito, cuido da casa, do marido, lavo roupa. Como a maior parte dos meus leitores, quero algo que pode ser feito rápido e que seja gostoso”, explica.

No entanto, quando começou o blog, há pouco mais de um ano, sua preocupação maior era apenas resgatar as receitas que a mãe preparava e partilhá-las com as amigas. “Elas viviam me pedindo as receitas da minha mãe para fazer em casa, como surpresa para os maridos. Achei mais fácil fazer um blog para que elas pudessem ver os ingredientes e o modo de preparo”, conta.

A matéria você encontra  AQUI.

Torta prestígio para Francisco

Altos e baixos. Curvas e retas. Acho (ou melhor, tenho certeza) que todo mundo passa por fases na vida. Depois de passar por alguns baixos, o resultado da ansiedade e do nervosismo exagerado veio o resultado: gastrite nervosa aguda. Já alguns dias que não me sentia muito bem e tudo, TUDO que estava comendo me fazia mal. O médico passou alguns remédios que estão ajudando, mas ainda não consigo comer sem sentir indigestão. Para uma cozinheira isso é o cúmulo da frustração. Fiquei até desanimada essas últimas duas semanas de postar porque não podia dizer exatamente se o que eu fiz estava bom mesmo – porque na verdade estava me fazendo mal.

Mesmo com o desconforto estomacal, passei o feriado de finados na cozinha para presentear minha querida irmã Sara, que fez aniversário no último dia 31. Tinha um almoço na casa da nossa mãe e me prontifiquei a fazer a sobremesa, que seria uma torta de prestígio. Você deve estar se perguntando: “mas Manoela, não é para o Francisco?”. Francisco é meu querido sobrinho, filho dessa irmã, que está com singelos dois meses de vida.

Ela me pediu para fazer uma receita para ele no blog, mas gostaria de dedicar essa receita para ela. Nós temos personalidade muito diferentes (para não dizer opostas) e quando éramos adolescente brigávamos muito. Foi só depois de nós duas casarmos e morarmos em casas separadas é que eu percebi que devo muita coisa à ela. Foi ela que me ensinou a maquiar, a me vestir, a tirar fotografia, a arrumar meu cabelo e, principalmente, a ser mais forte.

À minha querida irmã, que nunca desistiu de mim, como eu não desisti desse bolo. Depois de errar a receita do bolo duas vezes, me mantive na linha e fiz mais duas vezes. Porque vida de cozinheira (e de irmã) é assim mesmo né? A gente briga mas, no final das contas, a gente se ama ainda mais.

Ingredientes para o bolo:

4 ovos (4 gemas + 4 claras)

7 colheres (sopa) rasas de açúcar

8 colheres (sopa) BEM RASAS  de farinha de trigo (na primeira receita eu fiz com colheres cheias e, claro, foi um desastre – o bolo virou uma pedra)

4 colheres (sopa) BEM RASAS de cacau em pó

1 pitada de sal

1 colher (sopa) de fermento em pó

Separar todos os ingredientes antes de começar a receita. Ligue o forno em 180ºC e unte um tabuleiro redondo de tamanho médio. Esse bolo é feito bem rápido e é melhor usar uma batedeira planetária. Peneire a farinha com o cacau, o sal e o fermento. Depois bata as claras em neve. Quando estiverem bem firmes, vá acrescentando o açúcar aos poucos. Depois, acrescente as gemas, uma a uma. Vai ficar como uma espuma amarelinha. Deixe bater por mais uns dois minutos. Desligue a batedeira e acrescente a farinha aos poucos, misturando delicadamente com a espátula. A massa é como uma espuma firme mesmo. Despeje no tabuleiro e ajeite a massa para ficar bem retinha. Asse por 15 minutos ou menos (assa rapidinho se o forno estiver bem quente).

Retire do forno, deixe esfriar por alguns minutos e retire do tabuleiro. Quando esfriar, corte o bolo ao meio usando uma faca de serra bem grande. Reserve. (Essa parte parece fácil mas sofri para cortar na metade certinho. Tive que remendar depois..)

Repita a receita e faça mais um bolo. Vamos usar quatro partes de bolo para fazer a torta. Eu fiz separado porque não tenho muita prática com tortas. Se você for como eu, faça de duas vezes ok? Reserve os bolos cortados.

Ingredientes para o recheio de coco (fazer no dia anterior à montagem):

2 latas de leite condensado

2 latas de leite

300g de coco ralado (úmido e adoçado)

4 colheres (sopa) rasas de amido de milho

Em uma panela despeje as latas de leite condensado, uma lata de leite e 200g do coco ralado. Ligue em fogo alto e vá misturando até que ferva. Quando ferver, acrescente o amido de milho dissolvido na lata de leite que sobrou. Continue misturando, agora com fogo baixo, porque de repente vai firmar. Deixe cozinhar por mais alguns minutos. Esse recheio deve estar firme, mas não duro. Quando desligar o fogo acrescente o restante do coco. Deixe esfriar de um dia para outro na geladeira.

Ingredientes para a calda (para a torta ficar “molhadinha”)

1/2 copo americano de açúcar

1 copo americano de água

3 cravos

2 paus de canela

Coloque todos os ingredientes em uma panela e deixe ferver. Quando o açúcar dissolver, desligue o fogo e deixe esfriar.

Ingredientes para a cobertura:

400g de chocolate ao leite (ou 300g de ao leite + 100g de meio amargo)

1 caixa de creme de leite

Derreta o chocolate em banho maria ou no microondas. Acrescente o creme de leite e misture bem. Deixe esfriar na geladeira por alguns minutos (não deixe muito para que não endureça).

Montagem:

Retire o recheio da geladeira alguns minutos antes de usá-lo. Divida em três partes.

Para o bolo ficar firme enquanto você monta, minha sogra (essa receita é dela) me deu uma dica ótima. Vamos montar o bolo dentro do tabuleiro que usamos para assá-lo. Forre o tabuleiro com um saquinho plástico (usei papel manteiga e não foi bom, porque ele começou a desintegrar com a umidade depois de um tempo) e coloque a primeira metade do bolo.

Umedeça o bolo com a calda de açúcar usando um pincel culinário. Coloque 1/3 do recheio de coco e espalhe bem.

Coloque a outra metade do bolo, umedeça com a calda e coloque o segundo terço do recheio. Tampe com mais uma metade do bolo, umedeça e coloque o restante do recheio. Tampe o a última metade do bolo e umedeça com a calda novamente. Deixe esse bolo, dentro do tabuleiro, na geladeira algumas horas para firmar.

Na hora de servir, tire o bolo do tabuleiro (ele vai estar bem firme, não vai desmontar) e corte as laterias para acertar. Faça a cobertura e espalhe por cima e nas laterais com uma espátula.

Ufa! No final das contas, gastei três dias para fazer o bolo. Na quinta fiz o recheio. Na sexta fiz os bolos e montei. No sábado coloquei a cobertura. E também foi no sábado ele  acabou em minutos 🙂

Biscoito casadinho

Aprendi esse lindo biscoitinho no meu curso de pães, roscas e biscoitos. Lindo de se ver, mais ainda de comer. O probleminha é que tem que ter uma paciência do cão para fazer as bolinhas e grudar uma por uma. Não sei se vou fazer essa receita de novo, ainda mais que ela foi devorada em menos de um dia. Não sei de vocês, mas quando faço uma receita trabalhosa eu gosto que ela dure anos luz para valer todo o meu esforço…

Ingredientes:

250g de farinha de trigo

2 ovos

80g de açúcar refinado

80g de margarina

Suco de 1/2  limão ou essência de baunilha

Misture a farinha com o açúcar refinado, o suco de limão e a margarina. Misture com as mãos mesmo até fazer uma farofa. Acrescente um ovo de cada vez e misture até ficar homogêneo, é rapidinho. Se você achar que a massa ainda está seca e sem dar liga, acrescente um ovo ou um pouco de leite. Com um rolo de massa, estique a massa na bancada e corte pequenas bolinhas (como eu não tenho cortador, fiz com uma tampinha). Asse as bolinhas em forno pré-aquecido em 180ºC por 10 minutos ou até ver que os biscoitos assaram. Eu assei nas costas do tabuleiro, com um papel manteiga untado. Deu uns quatro tabuleiros grandes (você pode fazer como eu: usar só um tabuleiro e fazer várias fornadas. Você pode usar o mesmo papel untado, não vai grudar).  Ficar atenta na hora de assar porque em um minuto os biscoitos podem queimar. Essa é a receita de um biscoito comum.

Montagem:

100g de goiabada em pasta

Açúcar refinado

Com os biscoitos já frios, é só rechear com goiabada. Com a ponta de uma colher passe um pouco em um biscoito, feche com outro e passe no açúcar refinado.

Eles ficam um pouco moles no dia que são feitos, mas no dia seguinte estão bem firmes e ótimos para comer com café.

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